Há mais de 30 anos, a ciência vem estudando as chamadas EQMs, ou Experiências de Quase Morte. O fenômeno é descrito por pessoas que estiveram em situações graves que envolviam paradas respiratórias, ou estado de coma profundo.
Como se sabe, o nosso cérebro não suporta mais do que pouquíssimos minutos sem oxigenação, sob o risco de graves e irreversíveis lesões. Ocorre que crianças, adultos, jovens, idosos, homens e mulheres, de quaisquer credos religiosos ou vinculações políticas, relatam uma série de fenômenos que, de acordo com a nossa percepção de tempo, consumiriam horas para que fossem vivenciado completamente, enquanto tais pessoas, em sua maioria, ficaram apenas alguns poucos minutos sem batimento cardíaco.
Há, na maioria das vezes, um padrão de fenômenos que são relatados por tais pessoas. A maioria descreve:
Ter saído do seu corpo físico e ser atraída por uma luz forte, brilhante e muito agradável
Passar por um túnel de luz
Encontrar um ou mais seres de luz que os conhecia profundamente, sabia de todos os seus defeitos e erros e, não obstante, os amava profundamente, sem os criticar jamais
Rever toda a sua vida, diante de seus olhos, desde os menores acontecimentos do dia-a-dia, até os sentimentos que suas atitudes causaram nas outras pessoas
Receber informações dos seres de luz sobre a sua missão na Terra
Ser convencido a voltar ao corpo físico,para completar a sua missão, o que a maioria das pessoas relata não quererem mas que acabam aceitando por entenderem ser mesmo necessário.
Nunca ouvi falar de uma pessoa que tivesse vivenciado, genuinamente, um Experiência de Quase Morte e não tenha se transformado profundamente, tornando-se uma pessoa melhor, mais amorosa e mais confiante na vida.
Foi por passar por uma experiência não de EQM,mas de saída do corpo físico, que deixei de professar a religião dos meus pais e, mais tarde, me tornar espírita.
Talvez esse relato seja útil para alguém que lê este Blog do Ylen, e é em função disso que a descrevo, rapidamente:
Aos 17 anos, creio eu, morávamos em uma casa no Recife, que somando-se o calor do verão pernambucano a uma casa com pouca ventilação e telhas do tipo Brasilit, tornava as noites bem desconfortáveis, principalmente para quem não gostava de ventiladores, como eu. Como alternativa, eventualmente eu optava por dormir no terraço de nossa casa, que era muito mais arejado e ventilado.
Foi justamente numa dessas noites que o fenômeno ocorreu comigo. Creio que por volta das 03h00 eu despertei sentindo meu corpo ser percorrido por ondas de vibrações contínuas. A vibração era tão forte que eu me espantei de não estar no meio de um terremoto. Rapidamente tentei me levantar, ainda assustado, e percebi que não conseguia me mexer.
O susto logo se transformou em desespero e à medida que eu me agitava, menos me mexia e mais forte ficava a vibração que sentia. Isso durou cerca de um minuto, ao fim do qual eu finalmente consegui mexer a minha cabeça pro lado esquerdo.
Foi ai que o desespero se transformou em pavor. Ao mexer a minha cabeça pro lado, vi que a cabeça do meu corpo continuava rígida, imóvel. Virei a cabeça pro outro lado, vi tudo que estava daquele lado e, ao mesmo tempo, via minha cabeça fixa, imóvel, voltada para o teto.
Naquele momento compreendi que estava morto. Me desesperei por ter morrido assim, de uma hora pra outra, sem mais nem menos, sem aviso, sem presságios, sem ter vivido o que achava que deveria.
Morrer, sem estar preparado, é muito desesperador. Me senti muito, muito mal.
Mas a vibração não cedia e em meu desespero pus-me a gritar. Gritei desesperadamente por vários minutos, a plenos pulmões. O barulho que eu fazia era muito grande mas o som não saia por minha garganta.
Continuei gritando creio que, no total, por uns 3 a 4 longos, infindáveis minutos, até que finalmente algo que não sei explicar aconteceu, me senti acoplado ao corpo físico, e os meus gritos, ou melhor, os meus berros foram ouvidos pela casa toda. Não, pela vizinhança toda. Na verdade, acho que acordei a rua inteira…
Meus pais acordaram com meus gritos de socorro e, ao verem que não se tratava de ladrão ou algo assim, e recebendo meu relato atabalhoado de que me sentia ter morrido, resolveram fazer uma oração.
A oração que meus pais fizeram, notadamente a minha mãe, foi para repreender e afastar o diabo, que, segundo ela, estava querendo aprisionar o seu filho…
Não sei e o tal do diabo a que ela tanto se referia escutou sua repreensão, só sei que passei 3 meses sem que o fonômeno se repetisse…
… Três meses passados, assunto esquecido, resolvi dormir novamente no mesmo lugar. Foi ai que mudei minha maneira de encarar a vida, completamente.
Pela madrugada, novamente acordei sentindo uma vibração impressionante percorrer o meu corpo e, ao tentar me levantar, o meu corpo físico permaneceu imóvel. Me mexi livremente mas o meu corpo permanecia ali, sem reação, como se nada tivesse comigo.
Dessa vez, reagi de forma completamente diferente. Ora, eu sabia que não havia morrido da primeira vez, então, provavelmente não morreria agora, então resolvi aproveitar pra entender aquilo.
Tendo o raciocínio claro, explorei o ambiente ao meu redor, deitei novamente, me levantei, me cerfiquei que não estava sonhando, que meu corpo estava ali e que eu não era o meu corpo.
Pronto, isso me bastava. Eu não era o meu corpo e ali estava sobrevivendo sem ele. Isso só me dizia uma coisa: Existe vida além do corpo físico e, portanto, além da morte deste!
Senti o fenônemo esmaecer, deitei, senti o corpo reacoplar, e levantei-me.
Mais tarde, chamei meus pais, expliquei o que havia ocorrido e os fiz compreender que, a partir daquele momento, eu não mais fazia parte da religião deles, que pregava o Juízo final e o aniquilamento completo da vida após a morte do corpo físico.
Foi um choque pra eles. Algo que nunca aceitaram. Até hoje. O que é um pena.
Tempos depois, encontrei um grupo de pessoas que estudavam os fenômenos de Projeção do Corpo Astral, ou seja, a saída do corpo físico e, no grupo, me impressionou o relato de uma moça, originária de Garanhuns, que havia escapado por pouco de ser internada em um manicômio. A sua “loucura” era relatar que saia do corpo e que via espíritos quando estava fora dele. Sorte sua ter encontrado o grupo de estudos sobre o tema. O manicômio perdeu uma cliente que, sendo sadia, certamente ali enlouqueceria.
Mais tarde conheci o Espiritismo e pude estudar com mais detalhes e aprofundamento o fenônemo que nem é tão raro assim, sendo comumente chamado pelo Espíritas de Desdobramento.
Como mensagem final, deixo o pedido para que tenhamos uma mente aberta para observarmos os fenômenos da vida sem idéias preconcebidas, com uma postura de estudo e de curiosidade sadia, para que possamos colher os frutos que o Pai nos oferta e que podem transformar profundamente as nossas vidas.
Abaixo, um vídeo que aborda um pouco o fenômeno de EQM. (Caso o vídeo não funcione, clique no link abaixo:
Em conversa recente com uma pessoa conhecida, Psicóloga Transpessoal, abordávamos questões sobre as causas das distonias mentais. Nessa conversa, ela me chamava a atenção para um fator que muitas vezes me passou despercebido, que muitos de nós ignoramos, mas que possui um enorme peso no que tange á edificação de seres livres de doenças mentais.
Passo, assim, a falar sobre o assunto incluindo a sua valiosa contribuição.
Na etiologia das doenças mentais, isto é, no estudo das causas das doenças mentais, além daquelas que já tratamos em artigos anteriores neste blog, precisamos considerar a importância que o amor exerce.
Imaginemos um espírito que encontra-se no limiar do desajuste emocional. Para nosso exercício mental, podemos esboçar uma criatura que passou por muitas dificuldades em sua vida, por muita dor e sofrimento e passou a nutrir a revolta e o desespero em si mesmo.
Imaginemos agora que essa mesma criatura, após o seu desencarne, recebe a oportunidade de renascer. Consideremos, então, o quanto é decisiva esta encarnação para este espírito.
Caso este espírito seja envolvido em amor, em carinho, compreensão, os seus pais estarão fortalecendo-o, dissipando, pelo amor, as matrizes da revolta e do sofrimento.
Por outro lado, se este espírito, esta criança, é tratada sem a força transformadora do amor, é desprezada, não amada ou, pior, agredida em seus sentimentos, teremos o surgimento do desequilíbrio que estava latente, desestabilizando esta criatura dolorosamente, e instalando-se assim as doenças mentais.
Portanto, reiteramos a força do Amor como instrumento terapêutico e sua ausência como fator indutor das distonias mentais e a importância da dedicação dos pais, do seu carinho e compreensão, na construção de filhos e seres saudáveis mentalmente.
Envolvido, ultimamente, em pesquisas sobre transtornos mentais e a visão do Espiritismo em tais casos, lembrei de minha infância. Morando em um bairro da periferia do Recife, posso dizer que ali, tínhamos praticamente um novo linguajar. Talvez até, em alguns casos, um dialeto. Palavras iguais tinham conotação diferente e palavras diferentes muitas vezes exprimiam as mesmas coisas.
Um desses casos envolvia o significado das palavras Louco, Maluco e Doido.
Para nós, Louco era o sujeito ousado, irresponsável com o perigo e que colocava a sua vida em risco. Algo como andar pelas ruas calmíssimas de nosso pacífico bairro após as 23 horas…
Maluco era o sujeito que não atentava com as suas responsabilidades, que vivia curtindo a vida, fazendo coisas engraçadas, chocantes, usava tatuagens, brincos, etc.
E Doido, bem, doido era o Roberto. Aliás, todos o conhecia pelo seu nome completo: O Doido Roberto. Filho de um casal que possuia 23 filhos, sobrevivendo de forma miraculosa em um estado de miséria lamentável, Roberto era um doido gente boa. Não falava coisa com coisa e quando falava, falava sozinho. Dialogava consigo, numa conversa que não cabia estranhos. Vagava o dia inteiro pelas ruas e portava uma saúde invejável no que tange ao corpo físico. Não consigo recordar se alguma vez o soube doente. Quase sempre alegre, prestativo, inofensivo, pacato mesmo, fazia parte da cultura de nossa rua. Quem não conhecia Roberto, o Doido, certamente era novato na área.
Mas, uma coisa chamou-me a atenção muitos anos após a minha saída daquele bairro. Cerca de 20 anos depois de tê-lo visto pela última vez, resolvi matar um pouco a saudade da infância e visitar os amigos que havia deixado.
Não encontrei muitos, é verdade. A maioria havia morrido. Assassinados das mais variadas formas. A violência nossa de cada havia levado muitos sonhos embora. Lembrei-me do filme Os Gritos do Silêncio, que tanto marcou minha infância-quase-adolescência. As ruas mudaram pouco e a miséria apenas permitiu a construção de casas de tijolos, sem acabamento. A sensação, inegavelmente, foi de aperto no peito.
De longe, avistei o Doido Roberto. Aproximei-me, desfrutando das lembranças que cada metro daquele chão me trazia, quando sou surpreendido com a voz clara e alegre:
- É Jair é? Eita, é Jair!! - E pulou de alegria, ao passo que me estendia a mão, com a inocência dos que não têm idade...
A atitude de Roberto me deixou surpreso. Mesmo!
Como podia ele, tão alheio, tão desligado, tão… Doido do juízo, identificar-me 20 anos depois? Eu havia crescido, aumentado de peso, modificado rosto, expressões, forma de pentear o cabelo…
Roberto era doido. Mas, eventualmente, era muito sensível. Como nesse caso, trazia à mente de forma vívida a alegria de reconhecer velhos amigos. Sim, amigos, porque sempre tive por ele o respeito da verdadeira compaixão. Pareceu-me muitas vezes, que ele não era doido completamente, e sim apenas parcialmente, como se ali estivesse aprisionado num corpo que apenas não funcionava muito bem.
Fiquei feliz em ser recepcionado com alegria pelo Doido Roberto…
Só mais tarde pude compreender isso melhor. Quando aprendi que há uma separação entre corpo e alma, foi que pude perceber tudo mais claramente.
Muitos espíritos que abusaram de sua capacidade intelectual, mental, acabam por optar (sim, optar, escolher) renascer em um corpo com debilidades mentais. Outros renascem compulsoriamente, por não apresentarem condições de escolha.De uma ou de outra forma, importa que temos assim a loucura proveniente de um cérebro com mal funcionamento, com lesões orgânicas, o que a medicina diagnostica facilmente através de exames adequados.
Entretanto, um dos grandes mistérios da psiquiatria e das ciências mentaisé esclarecer como pode um cérebro fucionalmente sadio, absolutamente normal do ponto de vista anátomo-funcional, ser portado por um louco?
A Psicologia, Psiquiatria, Fisiologia e Biologia certamente não o podem explicar. A miopia dos homens que acreditam que a Ciência deve curvar-se ao preconceito, imposto pelo materialismo, os impedem de investigar a causalidade dessas patologias. Investigar profundamente.
Muitos espíritos que não foram responsáveis com o seu patrimônio mental ou que levaram outros seres à loucura, ao desespero, ao extremo do sofrimento, acabam por danificar o seu próprio corpo espiritual.
Essa lesão impede o seu funcionamento correto,como é óbvio. Óbvio também que, uma vez reencarnado, mesmo recebendo um corpo plenamente sadio, oriundo da herança genética dos seus pais biológicos, este espírito reencarnante terá disfunções mentais.
E assim, temos uma pessoa com problemas mentais mesmo possuindo um cérebro perfeito. Enigma insolúvel da ciência materialista, engima resolvido com simplicidade pela Ciência Espírita.
Voltando ao Doido Roberto, queremos crer que o seu corpo físico, nesta encrarnação, está recebendo os fluidos deletérios do seu corpo espiritual, responsável pelo seu desequílibro mental e, oxalá, na próxima ele seja, apenas, Roberto.
E que tenhamos um profundo respeito por todos, que na atual encarnação, estão se submentendo à dura provação do reequilíbrio mental.
Amigos, neste sábado, dia 01 de agosto de 2009, estaremos realizando uma palestra, com duas horas de duração, abordando o tema Transtornos Mentais & Obsessão.
O objetivo é esclarecer qual a visão espírita das patologias mentais. Em função do tempo, que não será muito longo, abordaremso apenas alguns tópicos específicos e a sua relação com a influência espiritual causada pelo processo da Obsessão Espiritual.
A palestra será no Recife, no Centro Espírita Amor e Caridade
Rua Dom Manoel da Costa, 433 – Torre (Por trás da Igreja da Torre)
Caso precisem de alguma informação sobre o evento, eis o meu Celular:
(81) 9258-3195