Arquivo de fevereiro 2008

jair.jpgHá muito tempo que queria escrever este post. Na realidade, desde que eu criei este blog eu tenho essa intenção. Mas, como tempo é produto que anda escasso na prateleira da minha vida, vários meses já se passaram desde que o Blog do Ylen nasceu.

Bem, vamos lá.A minha mãe foi a pessoa mais importante que já passou pela minha vida. Não por ser mãe, simplesmente (como se fosse possível juntar “Mãe” e “Simplesmente“…). Além de gerar-me em seu ventre e dar-me a vida, ela foi além… Ela também salvou a minha vida.

Explico: até o meu primeiro ano de vida, fui socorrido, em média, uma vez por semana.  Pelos cálculos dos meus pais, fui atendido em hospitais, ambulatórios ou pelo farmacêutico do bairro, o querido Albuquerque, cerca de 47 vezes  antes de completar meu primeiro aniversário… se lembramos que um ano possui 52 semanas…

O fato é que nasci com um sistema imunológico muito debilitado. Convivi diariamente com tosse, bronquite, catarro, dor, cólica, diárreia, febre, frio, irritação, falta de apetite… e por aí vai. Para completar, não tínhamos quase nenhum recurso em nosso lar. Quase ninguém apostava que eu iria sobreviver. Diante da pobreza em que vivíamos, inúmeras vezes, os médicos viravam-se para a minha  e  afirmavam-lhe que iriam me internar…

- Internar?! Meu filho??! Isso Nunca!!

Essa sempre foi a reação de minha Mãe (porque Mãe se Escreve com letra maiúscula!).
Sempre achei que ela não queria me deixar no hospital público. Talvez tivesse medo do descaso, da falta de condições do hospital para pessoas pobres, como nós. Sempre pensei isso.
Mas, não era bem assim. Um dia, ela me disse: “Sabe meu filho, eu nunca quis que lhe internassem porque eu tinha medo… medo que raspassem a sua cabeça e furassem ela pra colocar aquela sonda que eu via na cabeça das outras criancinhas. Era por isso que eu não permitia que ninguém lhe internasse.”

Valeu, Mãe. Te devo mais essa.

(Minha cabeça já é achatada atrás. Imagina furada com um canudinho , ia parecer o quê? Um côco verde de beira de praia, no mínimo.)

Passamos muita fome juntos. Mais de uma vez ela ficou sem comer pra gente poder almoçar.
Meu Pai naquela época já estava perdendo a batalha para a bebida e ingeria aguardente pura, muitas vezes apenas para anestesiar a dor de uma úlcera que tinha, mas não sabia. Quando não havia cachaça, ele tomava um comprimido efervescente de Alka-setzer…

Aliás… eu nunca soube se ele adquiriu a úlcera estomacal em função do vício da bebida, ou se ele tornou-se um viciado justamente pelas dores causadas pela úlcera…

À essa época, minha Mãe já participava da “Lei de Crente”, frequentando a Igreja Assembléia de Deus. Inúmeras vezes eu a vi, ajoelhada no chão, chorando e orando a Deus, pedindo misericórdia e ajuda para o nosso lar. Ela sempre orou para que meu pai se convertesse à religião dela.

Foram 7 anos de oração. Mas, sabe, parece que as coisas só pioravam… A bebida tornava meu pai agressivo, distante, sofrido, autoritário,  desconexo, irritadiço… e magro. Muito magro. Lembro que meu velho chegar a pesar apenas 48 kilos (com a estatura de 1,70m)…
Até que ele converteu-se…

E toda a nossa vida começou a mudar. Ele conseguiu largar a bebida e, após seis meses, deixou de fumar os 80 cigarros diários… Dedicou-se a estudar a bíblia e a orar. Ah! A força da oração em um lar!…

Aos poucos, com a casa harmonizada, começamos a prosperar um pouquinho… O alimento não faltava, e  o dinheiro já chegou até a sobrar de tal forma que, um dia, ele nos levou à feira do bairro em que morávamos, na periferia do Recife, e comprou-nos 5 roupas novas, uma para cada um dos filhos!!! O momento foi tão especial que, dois dias depois, registramos tudo em uma fotografia ( o que foi um outro luxo, uma fotografia nossa!!)

Aos 13 anos, após acordar de um terrível pesadelo em que o mundo se consumia em chamas e eu era queimado vivo, decidi (??)

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mulher2.jpgHá poucas semanas atrás, nos vimos envolvidos em uma emergência espiritual das mais graves.

Uma mulher jovem, branca, cerca de 25 anos, estava urrando, gritando, quebrando as coisas ao seu redor e agredindo os seus familiares há vários dias (e noites…).

Resolvemos nos oferecer para ajudar, caso quisessem, uma vez que sabíamos que aquilo era, com certeza, um ataque espiritual.

Procuramos agir com muita delicadeza, com muito tato, ao abordar aquela família. Não sabíamos como seríamos recebidos, muito menos se iriam aceitar o tipo de ajuda que tínhamos a oferecer, afinal, nem todo mundo aceita que existam espíritos (apesar de todos nós sermos).

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